Programação do feriado é intensa e diversificada


SBD anunciou criação de Board Brasileiro para educar sobre hipoglicemia

O segundo dia do Fórum de Atualização e Inovação, organizado pela SBD e pela Worldwide Diabetes, começou com Trevor Orchard, que discorreu sobre o impacto dos fatores de risco modificáveis na incidência de desfechos maiores no diabetes tipo 1. Em seguida, Jaime Davidson, ex-presidente da WWD, mostrou o cenário do pré-diabetes no mundo. Davidson defendeu o teste pós-prandial para diagnosticar a doença em estágio inicial. Explicou ainda que, nos Estados Unidos, houve um debate para considerar o pré-diabetes quando o exame de glicemia indicar 100, não 140 como é atualmente. As autoridades concluíram que isto levaria 60 milhões de novos pacientes aos hospitais e provocaria um colapso do sistema de saúde.

O ex-presidente da WWD, que também representa a Sociedade Latino-americana de Diabetes, questionou ainda o que seria considerado pré-diabetes e diabetes em fase inicial.

O Brasil é o primeiro país na América Latina no ranking da população com pré-diabetes. Na última década as pessoas entre 20 a 30 anos foram as mais diagnosticadas com diabetes tipo 2. Por isso, ele sugere que a triagem destas pessoas comece mais cedo. Também recomenda, como prevenção, a perda de peso e, no mínimo, 150 minutos de exercícios físicos por semana.

Em seguida, diabetes gestacional e diabetes após o transplante (DMPT) foram abordados na programação. Foi lembrado que para cada 10 quilos adquiridos pelo paciente, aumenta em 40% a chance de DMPT.

Na aula sobre neuropatia diabética e as úlceras de pé ressaltou-se a importância da comunicação entre médico e paciente. Um estudo americano avaliou a produtividade profissional e das atividades diárias em pessoas com a patologia e constatou que os pacientes com dores neuropáticas apresentaram muito mais dificuldades na execução das tarefas. Outro estudo europeu demonstrou que esta condição pode provocar queda na autoestima, além de ansiedade e depressão.

Após o almoço, Novonordisk e Boehringer promoveram simpósios.

Ainda na sexta, Karla Melo apresentou as dificuldades do tratamento e abastecimento de insulina no Brasil. Destacou que quanto mais pobre a região, mais difícil o acesso aos insumos e medicamentos; quanto maior a classe social, maior o controle glicêmico.

Citou que deve haver uma atenção especial à hipoglicemia noturna e também ressaltou a importância da comunicação médico x paciente. Para ilustrar, usou uma pesquisa na qual 71% dos médicos responderam que não orientam pacientes a alterarem a dose de insulina de acordo com as medidas no glicosimetro.

Hipoglicemia também foi abordada por Simon Heller, que mencionou avanço da idade, ingestão de bebida alcoólica e maior tempo de diabetes como fatores que aumentam os riscos de episódios. Chamou atenção aos idosos: o paciente e seu cuidador devem ser orientados sobre os sintomas, para que possam identificar a agir rapidamente.

Durante a sessão plenária, a presidente da SBD, Hermelinda Pedrosa, anunciou a criação do Brazilian Board of Hypoglycemia, cujo foco é educar e difundir informação acerca da hipoglicemia.

Educação em diabetes é chave para controle da doença

Paralelamente, no Simpósio Interdisciplinar da SBD e SBD-DF, o assunto era educação em diabetes. Carla Pieper comentou a abordagem holística do paciente, a fim de atentar-se ao tratamento e aos eventos decorrentes do diabetes, como hipoglicemia. Na palestra, destacou que estudos científicos já comprovaram que educação é mais eficaz para reduzir a hemoglobina glicada do que medicamentos. Falou também sobre o projeto da SBD Educando Educadores, que já contou com 36 edições e capacitou mais de 1.700 profissionais.

Para Pieper, empoderar o paciente tem papel fundamental no controle da doença, ou seja, muni-lo de informação para que assuma a responsabilidade do tratamento da doença, tornando-o agente ativo para cuidado da própria saúde.

Posteriormente, Tarcila Ferraz discorreu sobre como o trabalho da educação em diabetes pode ser feito em crianças e adolescentes, caracterizando o ambiente escolar como importante ferramenta nesse processo. Citou o projeto KIDS, da SBD, que já treinou quase 10 mil alunos e 300 profissionais da escola, a fim de desmitificar e prevenir.

Além da escola, a família também deve fazer parte, uma vez que tem o poder de influenciar na adesão ao tratamento e na aceitação do diabetes. Finalizou sua fala reforçando que a educação é contínua, que se adapta comportamental e cognitivamente.

Clayton Macedo falou sobre a prática de exercícios, fator que ajuda amplamente no controle do diabetes e que deve ser abordado com todos os envolvidos no cuidado e assistência ao paciente. Informou que, quando há quadro de obesidade, indica-se de 200 a 300 horas de atividade física semanais, com o ideal de 10 mil passos diários.

A responsável pela explicação acerca da avaliação dos programas de saúde foi Janice Sepulveda Reis. Ela disse que, a fim de comparar e melhorar o que está sendo feito, essas avaliações servem de subsídio para elaborar estratégias que melhorem a assertividade na tomada de decisão. Destacou a tradução e adaptação cultural de instrumentos, levando em consideração a equivalência de conteúdo e validade, além da retrotradução para averiguar a equivalência.

Para falar de como a tecnologia pode ser uma aliada da educação em diabetes, Márcia Puñales trouxe os resultados da aplicação de dispositivos como smartphone no controle da doença. Puñales chama de “revolução” o impacto positivo proveniente do uso de novas tecnologias. Dentre as pesquisas apresentadas pela especialista, evidenciou-se como a educação melhora inclusive o índice de internações.

O sábado teve intensa programação sobre obesidade e diabetes e complicações cardiovasculares

Mais do que falar de medicações em desenvolvimento, as aulas do último dia de Fórum expuseram o estigma da obesidade e do seu tratamento – os especialistas enfatizaram como a perda de peso reduz o risco para desenvolvimento de diversas doenças, inclusive diabetes e suas complicações.

Pesquisas recém-publicadas demonstram enorme segurança de algumas medicações, como lorcaserina e liraglutida, e benefícios em doenças associadas, como melhoras do controle do diabetes ou mesmo prevenção. Outro fator que faz com que o tratamento seja subutilizado é a eficácia: os pacientes e médicos desejam perdas maiores do que as medicações de fato oferecem. Nesse sentido, a história pode mudar em breve com a medicação semaglutida, que prospecta perdas de peso bem superiores às vistas com as medicações atuais. Além da semaglutida, outras poderão surgir, agindo principalmente em redução do apetite via hormônios intestinais, algo semelhante com o que acontece com a cirurgia bariátrica.

Já Hermelinda Pedrosa, Andrew Boulton e Sanjay Rajagopalan discutiram sobre como interpretar os resultados de ensaios cardiovasculares. Durante a manhã também houve palestras sobre complicações vasculares decorrentes do diabetes.

À tarde, os participantes contaram com workshops a respeito de pé-diabético, doença macrovascular, lipodistrofia, diabetes gestacional e sistema de infusão contínua de insulina.

Diabetes Não Tem Cara – Campanha do CFF é lançada no Fórum

Em 3 de novembro, a SBD e o Conselho Federal de Farmácia promoveram simpósio acerca do papel do farmacêutico na assistência à pessoa com diabetes. Walter da Silva Jorge João, presidente do CFF, aproveitou para lançar a campanha Diabetes Não Tem Cara, que visa conscientizar população e profissionais sobre a doença, que é silenciosa. Entre os dias 14 de novembro e 30 de dezembro, mais de 800 farmácias de todo país devem atender pessoas entre 20 e 79 anos, sem diagnóstico prévio, para rastrear o diabetes – se necessário, o indivíduo será encaminhado ao médico especialista.